Pense sobre a última vez que você comeu em um restaurante.
Qual era a especialidade culinária?

O que fez você escolher aquele restaurante? Qual foi sua primeira impressão que você teve quando entrou lá? Você teve que esperar até ser levado à mesa? Como o cardápio era organizado? A comida chegou rápido? Você gostou do que pediu? Como foi o atendimento? Você voltaria lá de novo?

As respostas a estas perguntas, incluindo todos os altos e baixos emocionais, englobam experiência do usuário do restaurante (UX).

No entanto, quando as pessoas usam o termo UX, elas geralmente se referem à experiência com um produto, serviço digital ou tecnologia.

Hoje, o UX cresce e evolui como parte importante do projeto. E embora seja relativamente nova, sua história multidisciplinar pode ser datada antes mesmo do renascimento.

Vamos dar uma olhada para trás e ver alguns eventos importantes que fizeram o UX evoluir para onde conhecemos hoje e até onde ele poderá chegar.

 

Ano de 1.430: “pesadelo da cozinha” por Leonardo da Vinci

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O maravilhoso livro de Michael Gelb “Como Pensar como Leonardo da Vinci” conta a história do duque de Milão que queria dar uma festa de alto nível. O talentoso Leonardo assumiu o cargo de projetar a cozinha. No que é considerado o primeiro uso da tecnologia (centenas de anos antes da Revolução Industrial) da Vinci projetou e produziu esteiras transportadoras para transportar os alimentos para os cozinheiros. Ele também construiu um sistema de borrifação de água para manter os alimentos frescos, provavelmente o primeiro sistema de aspersão do mundo.

No entanto, as esteiras transportadoras operavam de forma irregular para os cozinheiros, o que tornou o sistema de aspersão horrível, arruinando alguns dos alimentos.

Embora esse caso em particular tenha sido um grande desastre, é o primeiro indício das práticas de design voltadas para experiência do usuário.

 

Início do século 20: Taylorismo e a Revolução Industrial

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Frederick Winslow Taylor, um engenheiro mecânico e um dos primeiros consultores de gestão e autoria do estudo “Os Princípios da Administração Científica” foi amplamente influente na eficiência da engenharia de produção. Junto com técnicas pioneiras de produção em massa de Henry Ford, Taylor e seus partidários dividiam a visão de que as interações entre trabalhadores e suas ferramentas deveriam ser pensadas.

 

1948: Toyota e da humanização do sistema de produção

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Embora a Toyota, como a Ford, valorizava a eficiência da engenharia de produção, ela também procurou pensar nos funcionários. As contribuições dos trabalhadores na montagem da fábrica foi muito valorizada, tanto quanto as tecnologias utilizadas. O enorme sucesso que a Toyota experimentou como resultado trouxe uma nova atenção para a interação humana com a tecnologia.

 

1955: Desenhando para as pessoas de Dreyfuss

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Henry Dreyfuss, um designer industrial americano, escreveu o clássico texto “Projetando para as pessoas.”

Nele, ele escreveu:

Quando o ponto de contato entre o produto e as pessoas se torna um ponto de atrito, então, o designer industrial falhou.

Por outro lado, se as pessoas se sentirem mais seguras, mais confortáveis, mais ansiosas para comprar ou simplesmente mais felizes pelo contato com o produto, então, o designer teve sucesso.

Estes princípios, que incluem o conceito do prazer, cresceu e se proliferou para os pontos de contato entre produtos e pessoas.

 

1966: Disney e o papel da alegria

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Em um anúncio Walt Disney descreveu o projeto, que mais tarde se tornaria a Disney World, como “um lugar onde a tecnologia mais inovadora pode ser usada para melhorar a vida das pessoas.” Seu uso criativo da tecnologia para trazer alegria as pessoas continua a inspirar designers de experiência do usuário em todo o mundo até hoje.

 

1970: PARC e o design dos computadores pessoais

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O famoso braço de pesquisa da Xerox, o PARC, deu forma e função para o design de computadores. Bob Taylor, um psicólogo e engenheiro, líderou sua equipe na construção de algumas das ferramentas mais importantes e permanentes da interação humano-computador, incluindo a interface gráfica do usuário (GUI) e o mouse.

 

1995: Don Norman, o primeiro profissional de experiência do usuário

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Engenheiro elétrico e cientista, Don Norman entrou para a Apple para ajudar com pesquisa e design para a próxima linha de produtos centrados no usuário. Ele pediu para ser chamado de “Arquiteto da experiência do usuário”, marcando o primeiro uso do termo em um cargo.

A essa altura, Don Norman também já tinha escrito seu clássico livro, “O Design do dia-a-dia”, que defende o projeto de usabilidade e funcionalidade ao invés de só estética. Ele foi, e ainda é, muito influente para os designers de hoje.

 

2007: o iPhone

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Steve Jobs apresentou o iPhone na MacWorld de 2007, chamando-o de um “produto à frente do seu tempo” que prometia ser muito mais fácil de usar do que qualquer outro smartphone do mercado. Não só cumpriu a sua promessa, mas mudou o cenário dos dispositivos móveis para sempre, catapultando a Apple para a empresa mais bem sucedida do mundo.

A genialidade do primeiro iPhone, sem dúvida, estava na fusão do hardware e do software através do revolucionário multi-touch capacitivo, tornando obsoleto os teclados físicos de outros telefones. Em termos mais simples, foi criada uma experiência de usuário muito superior ao de qualquer outro telefone da época.

Isso levou o foco dos negócios atuais para a experiência do usuário. Se a ênfase da Apple em fornecer grandes experiências de usuário estava gerando sucesso de mercado e elogios de críticas, todas as outras empresas também queriam entrar nesse barco.

 

Qual o futuro da experiência do usuário?

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Cada marco importante na evolução do UX envolveu uma interação entre a tecnologia e os seres humanos. Como a tecnologia e a internet continuam traçando nossas vidas, podemos esperar que o UX continuará a evoluir. Isso vai trazer à tona a necessidade de habilidades mais especializadas em práticas multidisciplinares, incluindo a pesquisa do usuário, design gráfico, defesa do cliente, desenvolvimento de software, e muito mais. De fato, foram abertos mais de 6.000 postos de trabalhos nos Estados Unidos só nos últimos 15 dias de fevereiro de 2015 segundo o site indeed.com.

A internet não está mais confinada aos laptops ou smartphones. Isto mostra oportunidades para os profissionais de experiência do usuário para projetar interações que transcendem as formas, com o objetivo final de melhorar a vida das pessoas.

Então, se você é um da Vinci ou um Ford, um Dreyfuss ou um Disney, um Taylor ou um Jobs, parece que terá muitas oportunidades para trazer ao mundo a melhor experiência de usuário.

 

Referências

Buley, Leah. The User Experience Team of One: A Research and Design Survival Guide. Rosenfeld, 2013
Gelb, Michael. How to Think Like Leonardo da Vinci: Seven Steps to Genius Every Day. Dell, 2001.
O Pesadelo da cozinha de Leonardo
Projetando para Pessoas
Walt Disney: The First UX Designer do mundo
Leia o texto original em inglês

Sobre o autor

Douglas André

Douglas André